Diário / 18 de julho de 2008

Carteira de Habilitação – parte 1

Decidi tirar a carta de habilitação. Mal sabia o que me aguardava.

Liguei para Auto Escola com a grande ilusão de que bastava fazer aquela ligação e pagar coisas para que meus problemas estivessem resolvidos. Ledo engano. Começa que arranquei meu pâncreas pela boca só de ouvir o preço do ‘coisas’ que a mocinha da Auto Escola fala como se fosse ridiculamente pequeno e acessível. Aí depois resolvi engolir o pâncreas de volta porque descobri que além de todas as chatices que viriam, eu ia ter que tirar mil fotos 3×4 e espalhá-lhas por todos os lugares que fosse daquele momento em diante. Se fotos 3×4 são péssimas com pâncreas, imagina sem.

Blá blá blá, wisckas sachê, CIRETRAN – Circunscrição Regional de Trânsito. Depois de tirar as fotos, era lá que deveria ir primeiro. Cheguei e vi a fila.

Um pequeno parênteses sobre filas:

Concluí que as filas do universo se dividem em dois tipos: as do tipo McDonald’s e as do tipo CIRETRAN.

Tipo 1: você tem plena consciência do motivo de estar ali, espera por sua vez, é atendido e vai embora.

Tipo 2: sempre tem muita gente. É o tipo de fila que comporta pessoas que vivem suas vidas para estarem na fila. É o tipo de fila de pessoas que brotam do chão e entram na fila.

(fecha parênteses)

Aproveitei que estava todo mundo me olhando e perguntei o motivo de estarem ali. A resposta era óbvia e eu poderia tê-la previsto se tivesse em mente meu novo conceito sobre os dois tipos de fila: um olhou para o outro, gaguejaram e olharam as horas. Clássico do tipo 2 de fila.

Como legítima pessoa tipo 1 de fila, fui até o início da fila para descobrir se ela servia na verdade para falar com o Papai Noel ou algo do gênero. Minha intenção era só dar uma olhada, mas como as pessoas começaram a me encarar tipo ‘onde você pensa que vai’, achei por bem perguntar o que eu queria saber para o atendente logo de uma vez. Ele disse que nem adiantava entrar na fila porque não ia dar tempo de resolver o que eu precisava. Eram quatro horas da tarde – tirem suas conclusões.

Voltei lá no dia seguinte e esperei quase duas horas para entregar uma ficha que eles me deram lá mesmo e que eu devia preencher, comprovando que sei ler e escrever (ficha com foto 3×4, obviamente). Considerando que o índice de analfabetismo no país é grande e que para dirigir é necessário saber ler mesmo, achei justo. Vale dizer que o homem que estava do meu lado levou a mulher para preencher a ficha dele. Brasil.

Problemas sociais à parte, chegou a minha vez. Morrendo de medo do cara que estava atendendo, de ter esquecido alguma coisa, de ter feito algo errado etc, foi tudo bem. Minha face simpática venceu a ignorância do responsável e fim, sem maiores traumas. “- Agora você espera a Auto Escola te ligar, ok?” ele disse, finalizando. “- Ah, ok”, respondi.

É claro que a Auto Escola não ligou porque o povo de lá nem sabia que devia fazê-lo – quem ligou fui eu e depois de todas as confusões de informação, fui ao CFC – Centro de Formação de Condutores.

Curso de seis dias, cinco horas-aula por dia. Trinta, trinta intermináveis horas. Comecei imediatamente: ‘- Quanto mais rápido começar, mais rápido termina’. Legislação, Direção Defensiva, Mecânica Básica, Primeiros Socorros e Meio Ambiente & Cidadania.

Sobre o curso:

Ainda não terminei, acabaria segunda-feira se não fosse pelo meu atraso de ontem, o que resulta em R$ 3,00 + ir até lá na quarta-feira “passar a digital”.

De um modo geral o curso não é tão inútil quanto falam. Só é chato.

Sobre ‘passar a digital’:

Recurso inteligente, relativamente moderno. Para ter presença nas aulas e receber o certificado ao final do curso, cada aluno deve colocar o dedo indicador no scanner tanto na entrada quanto na saída.

Chato. E tem fila – fila tipo 1, pelo menos.

Sobre o professor:

Incrível como sabe o nome das placas, das artérias, dos componentes do motor do carro. Não sei se é incrível porque eu não sabia nada disso, mas é interessante. E as leis com suas respectivas multas?! Ele sabe também.

Fora o sotaque dê interiorrr e o maldito “horas-aulas” que ele nunca acerta, descobri que é conhecido do Ninguém – não só o conhece, como faz questão de lembrá-lo sempre com frases do tipo – Ninguém não vai ver” ou – Ninguém não tem” e ainda – Ninguém não é perfeito”.

Sobre Ninguém não ser perfeito:

Contradição. Já ouvi várias vezes dizerem por aí que Ninguém é perfeito. No fim, como Ninguém não estava lá para se defender, ninguém se manifestou.

A saga continua.

(Esse post foi publicado originalmente em 18 de julho de 2008)


Tags:  Carteira de Habilitação



Cintia Freitas
Sou formada em Tradução e em Marketing, gosto muito de escrever e odeio queijo. Todas as informações são igualmente importantes.




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15 Comentários

May 09, 2015

kkkkkk, Coitado do ninguém.


May 09, 2015

Cintia, cadê a parte 2!


May 09, 2015

Oi Cintia. Sou um ano mais novo que você e só agora vou começar a auto escola, na verdade, ela começa segunda-feira. Engraçado que para arrumar a minha papelada+foto 3×4 foi do mesmo jeito que e o seu, muitas filas, sem falar que tem o exame psicotécnico e exame de vista. Bem chato. Mais chato ainda é saber que as minhas aulas só acabam no final desse mês. Enfim, espero que a gente consiga vencer esse desafio.


May 09, 2015

Um pequeno bugue no cérebro na parte do ninguém hahah


May 10, 2015

Mais chato do que o curso, só o instrutor da auto-escola me perguntando mil vezes se eu não queria pagar para passar na prova prática. O cara não só não confiava na minha habilidade como ainda jogava isso na minha cara e ficava insistindo


    May 10, 2015

    Hahaha, não me perguntaram isso em momento algum, o que será que isso significa?


      May 11, 2015

      significa: brasil.


May 10, 2015

Ah, Cintia… Sei bem como se sentiu/sente. Eu tirei minha CNH ano passado e apesar das chatices eu me diverti muito nas aulas teóricas que foram de 12 dias e 4 horas/aula. Bons tempos que eu não quero repetir nunca mais! hahaha

Quando começar as aulas práticas e o temido exame, volto pra contar o meu sofrimento :p
Adoro você e o que faz! Beijos.


May 10, 2015

Sempre ouvi falar que tirar carteira era um saco, agora eu realmente entendo.
Estou acabando as aulas práticas e então “só” vai faltar a prova. Um lágrima brota só de pensar em ter a carteira em mãos.


May 10, 2015

Doida p tirar essa cnh, só por conta do valor, que a cada ano aumenta muito…Mas carro que é bom…kkkkkkkkk Sem precisão kkkkk
ótimo texto, amei o “final.”


May 10, 2015

No final vale a pena passar por todo esse “caos” . Boa sorte cintia.


May 21, 2015

kkkkkkkkk
muito bom


Aug 27, 2015

Hahah Tive algumas dificuldades para tirar a CNH tambem. Quando finalmente a auto escola liberou pra eu fazer a prova pratica (1 meses apos as aulas de direçao), eu reprovei e a auto escola nao queria autorizar a minha segunda prova (detalhe que eu estava pagando como qualquer aluno) porque “tinham outras pessoas com mais prioridade”.
Acabei mudando de auto escola e passei finalmente passeiii, faltando uma semana para vencer o processo todo


Nov 08, 2015

kkkkkkkkkkk perrengues da vida.


Jun 03, 2016

Interessante.



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