Crônicas / 13 de agosto de 2015

A verdade sobre MasterChef

Esses dias eu percebi o quanto eles enganam a gente nesses programas culinários. Arroz foi o que me fez abrir os olhos para a verdade.

Eu amo MasterChef. Não sou muito fã da versão brasileira Herbert Richers, mas acompanho a versão americana religiosamente, e bom, tendo Gordon Ramsay não precisa de mais muita coisa. Acho que dá pra dizer que Food Network é um dos meus tipos favoritos de entretenimento. Pra mim, programas culinários são divertidos e inspiradores. Acho inclusive que se você assistir aos certos, capaz até de aprender a cozinhar pratos mais sofisticados.

Algo que sempre me impressiona muito é a produção desses programas. É tudo lindo, brilhante e super bem editado. Dá pra perceber rápido que o investimento é alto. Desde os jurados (em programas estilo reality show tipo MasterChef) até os utensílios, é tudo sempre maravilhoso. Não poderia deixar de ser, né? Se eu fosse criar uma série desse tipo, ia querer tudo lindo também.

masterchef kitchen

Aí que tá o problema.

Quem faz comida no dia-a-dia sabe que cozinhar é tudo menos lindo, brilhante e bem editado. Demora horas, as panelas são toscas e a sujeira que fica depois é triste.

Mesmo tendo consciência disso, quando vejo aquelas imagens emocionantes dos últimos segundos que os participantes têm pra terminar o prato, não resisto ao pensamento de que se eu seguisse a receita talvez conseguisse reproduzir o que eles fizeram.

Umas semanas atrás, porém, o episódio Rice Rice Baby da sexta temporada de MasterChef US (aliás essa temporada tá ótima, apesar da nova jurada Christina ser meio chatona – nunca achei que fosse dizer isso, mas gostava do Joe – tem Stephen gritando na cara do Gordon, Tommy sendo diva insegura e Derrick sendo eu na vida) foi a minha gota d’água.

Na versão americana, quase todos os episódios têm um desafio chamado Mystery Box em que os participantes levantam uma caixa misteriosa e, com qualquer ingrediente que estiver embaixo da caixa, precisam inventar um prato que impressione os jurados. Nesse episódio do arroz que eu mencionei, o ingrediente da Mystery Box era, adivinhem: arroz.

De um jeito que muito me intriga e não foi revelado, a produção do programa colocou quilos de arroz dentro da caixa virada ao contrário pra que quando os participantes a levantassem, caísse tudo em cima deles de surpresa.

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Bacana, divertido. Surpreendeu e tal.

Depois do susto, os jurados explicaram a tarefa e na próxima cena TAVA TUDO LIMPO.

Gente, sério. Eu não tenho tesoura de cozinha e quando preciso abrir saco de arroz, ou vai com o dente ou com uma faca bem inapropriada para o serviço. Bastou eu deixar cair um total de dez grãos de arroz UMA VEZ nesse contexto pra eles continuarem se multiplicando até hoje no chão daquela pobre cozinha, sabe.

Só que no programa do Gordon os quilos de arroz no chão não passam de uma casualidade, a gente vê e logo esquece porque eles somem. Ninguém aparece correndo risco de gangrenar o braço tentando pegar os grãozinhos aventureiros que caem entre a pia e o fogão. É como se o vale obscuro das comidas perdidas nem existisse na TV. Mas a verdade é que existe, leitor. Se um dia você derrubar arroz, você vai ter que procurar uma vassoura, vai ter que tocar partes estranhas de um chão que você achava que conhecia, e você provavelmente vai queimar a cebola e alho que deixou no fogo porque era rapidinho abrir o saco de arroz. Você vai sofrer.

Enfim, acho que essa, como muitas outras, é uma daquelas coisas que a televisão faz com você. Falsas expectativas de vida até no arroz.

arroz


Tags:  Televisão



Cintia Freitas
Sou formada em Tradução e em Marketing, gosto muito de escrever e odeio queijo. Todas as informações são igualmente importantes.




22 Comentários

Aug 13, 2015

Adoro o Masterchef BR. Tenho muita vontade de ver o USA, pra poder comparar, já que todo mundo diz ser bem melhor hahaha <3

E sim! A gente vê esses programas, se inspira aí vai fazer um arroz com feijão, já sujou tudo! Triste realidade


Aug 13, 2015

Nunca imaginei ler algo tão divertido sobre arroz kkkkkkk
E eu sei o quanto que é ruim derrubar arroz na cozinha. Até hoje aparece arroz embaixo do meu fogão. Por mais que eu limpe, parece que brota mais, hahaha.


Aug 13, 2015

Ótimo. Nunca penso em algumas partes da minha cozinha, como quando eu preciso pegar algo que deixei cair no chão. rs


Aug 13, 2015

A parte da sujeira é muito verdade kk.
Embora não tenha visto o MasterChef US gosto muito do BR .


Aug 13, 2015

Cara! Demais o texto! Muito bom!!
A tv só engana a gente… é gente que acorda maquiada e diva, outro que até no hospital, doente, é bonito, é arroz autolimpante…
Essa é a vida do pobre telespectador :(
hahahahahahahha!
beijo :)


Aug 13, 2015

Eu nunca tinha assistido nenhum reality show culinário até começar a acompanhar o Bake Off Brasil no SBT (me julguem). Só depois disso foi que entendi o amor que as pessoas tem por Master Chef.
Mas você tem razão Cíntia, na TV é tudo muito lindo! Apesar deles fazerem bastante sujeira por lá, fica tudo limpo muito rápido e eu fico pensando o trabalho que eu tenho pra limpar a cozinha depois que faço 1 bolo, imagina lá, que eles fazem vários! kkkkk


Aug 13, 2015

Ba, achei muito bom isso que tu escreveu. Eu consigo ver bem direitinho tudo isso, até a parte do queimar o alho por fazer aguma outra coisa junto e tu achar que vai fazer rápido mas , no final é só desastre! kkk Bjos Cintia.


Aug 13, 2015

Acho que a grande diferença entre o Masterchef US e os outros é exatamente essa super edição. O que na minha opinião chega até a ser exagerada.

Numa busca rápida no YouTube dá para ver que nos Masterchef de outros países cada episódio tem quase 2 horas, não menos que 1 hora e meia. Já os americano tem um pouco mais de 40 minutos.

Como você vê mais a versão americana talvez não perceba a quantidade de cortes e simplificações que acontecem. Eu comecei a saber que existia o Masterchef pelo Austrália, que passava no TLC e depois o Peru, no mesmo canal.

Para mim o Brasil manteve o mesmo formato, não senti nenhuma grande diferença, era o que eu já estava acostumado. Só depois que fui ver o americano, que achei excessivamente editado, embora o Gordon seja muito carismático.

Outra grande diferença é que o americano parece ser bem mais baseado nas personalidades dos participantes e dos chefs, mostrando muito suas reações, acaba que isso diminui um pouco o tempo para mostrar o preparo dos pratos.

De qualquer forma, eu gosto de todas as versões, já que cada povo tem sua peculiaridade é bom para ver as diferenças culturais também. Como eu falo espanhol eu gosto de ver versões dos países hispânicos e percebi que quanto mais pobre é o país menos competitivos são os participantes e mais humildes em aceitar as opiniões dos outros. Já os europeus, como os Espanha e Portugal, os participantes são bem mais metidos, talvez por terem tido mais experiências gastronômicas.


Aug 13, 2015

Qual o problema de ter cenários diferentes para cada etapa do programa? Um para a surpresa na caixa e outro para a realização da comida?

Também não dá pra garantir que o cenário não ficou com resquícios de arroz por um certo tempo. Sei que nossas televisão tem nos apresentado uma excelente qualidade de imagem, mas os programas não costumam focar bem no chão para que possamos analisar.

Agora preciso concordar com você sobre a enganação e/ou “maquiagem” que esses programas fazem. Programas desse tipo sempre nos fazem pensar que preparar um prato é muito simples, mas é diferente na prática, por que temos que manipular várias variáveis na cozinha e nem sempre é fácil. rsrs

Gostei do texto.


Aug 13, 2015

Interessante a observação e, na verdade, se aplica a diversos “reality” shows. Claro que ninguém imagina que tudo acontece da forma como é mostrada, mas eles exageram na produção. Por exemplo: os jurados nas blind auditions do The Voice (US, UK, …) simplesmente “imaginaram” que o participante tem uma história de superação, que tem algum destaque peculiar…


Aug 13, 2015

Cintia, dia a dia não tem mais hífen. Fica a dica.


Aug 13, 2015

…já ouviu falar na Palmirinha?


Aug 13, 2015

Não acompanho o Masterchef US, mas vejo o BR e acho legal!!
Agora tem essas coisas que intrigam a gente mesmo, por exemplo: eles fazem a maior bagunça para cozinhar e de repente, na hora dos jurados provarem, está simplesmente tudo limpo!!


    Sep 11, 2015

    E a comida está quente! Deve vir umas 10 pessoas pra cada bancada pra limpar tudo rapidinho, as coisa sujas (panelas, liquidificador, batedeira…) devem ser retiradas e levadas para uma cozinha.


Aug 13, 2015

Programa vergonhoso que não ensina nada mesmo soh o pior.Melhor texto sobre isso http://psicologaheloisalima.com/2015/07/27/grosseria-master/#more-2490


Aug 13, 2015

Então, também acompanho o masterchef e é um dos programas que mais gosto e exatamente o do dragão furioso Gordom Ramsay que aliás fico impressionada com tamanha “educação” com que ele trata as pessoas, ou seria coisas de tv? Bem, confesso que já cogitei cozinhar um prato pra ficar igual e dizer fui eu que fiz! SQN
Tá, televisão é ilusão mesmo nem tudo que “parece” e!
A realidade é exatamente como descreveu varrer os grãozinhos dos cantos mais inusitados onde a vassoura não serve é osso! Ri muito no ” cortar com os dentes ou algo inapropriado” E no reality qualquer coisa desaparece como se nada tivesse acontecido. O que me irrita são os jurados acharem TANTO defeito nos pratos e só faltam tirar medida pra ver se as partes estão idênticas. Isso é masterchef…


Aug 13, 2015

Muito pior do que a limpeza envolvida é esse claro exemplo de desperdício. Ou eles por acaso usam o arroz que cai no chão depois?


Aug 14, 2015

Profundo… Tocou meu coração…


Aug 14, 2015

Já usou o aspirador de pó?


Aug 14, 2015

Eu também fico intrigada com essa magia da TV, tipo cadê a sujeira mano… E quando tá nos últimos minutos e a mulher fala “Só faltam 5 minutooooos!! “aí passa um montão de coisas q os participantes fazem e quando mostra o relógio de novo AINDA FALTAM 5 MINUTOS. Tipo, como assim???
Beijão Cintia ♥


Sep 02, 2015

A sujeira que fica depois é triste … e bota triste nisso :'(


Oct 15, 2015

I love Crônicas … I love arroz … I love Cíntia :)



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